"Um vizinho viu o clarão da pólvora e ouviu o tiro, mas como tudo ficou em silêncio depois disso, não deu maior atenção ao caso.
De manhã, por volta das seis, o criado entrou no quarto com a lamparina nas mãos. Encontrou seu senhor porstrado ao chão, a pistola e sangue. Chamou-o, levantou-o, e nada de resposta, ele apenas estertorava. Correu ao médico, a Alberto.
(...)
Quando o médico chegou até onde estava o infeliz, achou-o prostrado ao chão, sem salvação. O pulso ainda batia, os membros estavam todos paralisados. Por sobre o olho direito, a bala lhe atravessara a cabeça, arrancando os miolos. De mais a mais, aplicou-se-lhe uma sangria, o sangue correu, ele ainda buscava ar.
Pelo sangue no espaldar da poltrona podia-se deduzir que efetivou o ato sentado à escrivaninha, deslizando ao chão em seguida e rolando convulsivamente em volta da cadeira. Estava estendido perto da janela, imóvel e de costas, todo vestido e calçado, de casaca azul e colete amarelo.
(...)
Morreu ao meio-dia. A presença do bailio e as providências que ele tomou evitaram uma aglomeração maior de pessoas. À noite, às onze, fê-lo enterrar no lugar que ele havia escolhido. O velho e os filhos seguiram o corpo, Alberto não teve forças. Temia-se pela vida de Carlota. Foi carregado por operários.
Nenhum sacerdote o acompanhou."
(Os Sofrimentos do Jovem Werther, Goethe)
Adorei.
nossa Mariane, você é sombria. postar justamente essa parte do livro... rs.
ResponderExcluiracho que Mme. Bovary vai ser nessa linha também. vou ficar depressed desse jeito.
:x
Amei
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